Conforme prometido, no artigo de hoje vamos falar um pouco sobre o que o milagre Neo-Zelandês proporcionou à educação.

PUBLICIDADE

E antes que você possa pensar que os nossos amigos Neo-Zelandeses simplesmente privatizaram tudo, saiba de antemão que ao fim de 24 meses eles saíram de uma participação de 85% de alunos matriculados nas escolas públicas e um desempenho educacional 15% inferior aos seus pares internacionais, e chegaram ao patamar de 87% dos alunos estudando em escolas públicas e um desempenho acadêmico superior a 15% em relação aos pares internacionais. Sim, em dois anos, o sistema educacional passou de fracassado para nível de primeiro mundo.

Já já eu vou falar sobre o que foi feito lá do outro lado do mundo, mas vamos conhecer um pouquinho a realidade do Brasil.

A primeira medida que se faz para ver o quanto um país investe em educação é o famoso percentual do PIB e nesse aspecto o Brasil até que está indo bem, pois investe cerca de 6,1% do PIB em educação, considerando que a média dos países avaliados pela OECD foi de 5,6%. O problema é que mesmo investindo esse valor todo, é um dos que investem um valor baixo quando você divide o valor todo pelo número de alunos. Usando a paridade por poder de compra, o Brasil gasta anualmente U$ 2.895,00 por aluno e na média dos demais países esse valor chega a U$ 8.952,00. Os dados são de 2014 e a OECD já tem um novo estudo feito em 2017, mas o Brasil acabou não entrando com o mesmo detalhamento em relação a outros países e ao estudo de 2014.

E infelizmente, todos os testes que avaliam o desempenho da educação brasileira, demonstram que estamos longe de conseguir produzir uma massa crítica de brasileiros com capacidade intelectual suficiente para mudar o futuro. Enquanto não levarmos o assunto educação com maior seriedade, vamos sempre contar com os talentos individuais, só que lembra o que os talentos individuais nos trouxeram na Copa das Copas? Um ensurdecedor 7×1….

O teste mais importante é o PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – realizado em 2015, demonstrou que dos 72 países o Brasil ficou em posições muito ruins nas três matérias avaliadas: 59ª posição em leitura, 63ª posição em ciências e 66ª posição em matemática, esta última com quase 71% dos estudantes com nota menor do que a média. E infelizmente estamos empurrando esses estudantes por essa cadeia de mediocridade e ainda temos programas para fazer ingressar toda essa turma despreparada na faculdade e o resultado é uma quantidade enorme de pessoas com nível superior mas totalmente despreparadas para lidar com questões básicas do dia a dia…

O ponto importante aqui é que efetivamente, não somos um país rico, aliás, somos, mas nossas disponibilidades de orçamento acabam por não serem suficientes para o atendimento no mesmo nível. Olhando o tema sob esse ponto de vista, forçosamente nos leva ao lugar comum onde a expectativa de solução seria essa aqui: “vamos aumentar o orçamento da educação”. Muito bonito em um discurso, principalmente daqueles bem inflamados nos púlpitos políticos que temos por aí. Só que não há recursos suficientes para tal e pior, se houvesse recursos suficientes, com o modelo brasileiro, o resultado seria ainda ruim, não resolvendo o problema e pior desperdiçando recursos.

A chave é: se temos poucos recursos, então cada unidade monetária gasta é muito relevante e temos que tomar decisões de muita qualidade que possam fazer cada unidade monetária se multiplicar em resultados efetivos. Difícil? Sim, mas factível se houver foco e vontade em querer resolver.

Vamos agora voltar para a Nova Zelândia e descobrir como eles resolveram essa equação.

Lá como cá, a coisa não ia bem. Cada vez mais dinheiro sendo despejado na educação e resultados cada vez piores. Números de repetência alarmantes e custos que chegavam ao dobro do que se gastava cerca de 20 anos antes, todavia com resultados muito piores.

O primeiro diagnóstico foi que para cada U$ 1,00 gasto na educação, U$ 0,70 estavam sendo gastos apenas pela administração. Leia as palavas do próprio Maurice McTigue:

Assim que ouvimos isto, eliminamos imediatamente todo o Ministério da Educação. Cada escola passou a ser administrada por um conselho de gestores eleito pelos pais das crianças que frequentavam aquela escola, e por mais ninguém. Demos às escolas uma quantia de dinheiro com base no número de alunos que matriculados nas mesmas, sem impor condições especiais. Ao mesmo tempo, dissemos aos pais que eles tinham o direito absoluto de escolher onde os seus filhos seriam educados. É absolutamente detestável que seja um burocrata qualquer diga aos pais que eles têm de mandar os seus filhos para uma escola ruim. Convertemos 4.500 escolas a este novo sistema em um único dia.

E você acha que foi só isso? Além de criar esse processo de liberdade enorme para os pais e alunos, foi estendido para a rede privada as mesmas possibilidades de receber financiamento público de educação (por aluno matriculado). Liberdade e competição, sabe que eu me pergunto muitas vezes se esse governo era mesmo de esquerda….

Se você juntar esses dois fragmentos de informação vai concluir erroneamente que as escolas públicas perderam alunos para as escolas privadas, uma vez que a educação das últimas era realmente superior, mas não foi bem isso que aconteceu. Os professores da rede pública perceberam rapidamente que se perdessem alunos para as escolas privadas, o valor repassado pelo governo iria reduzir para aquela escola e com redução de alunos e de verba, naturalmente não seriam necessários tantos professores…. é o famoso tubarão no tanque para garantir que os peixes vão se manter ativos…

Cara, não foi mágica, foi coragem para tomar decisões que iriam mexer no queijo de muita gente, mas tomadas com o objetivo claro de criar uma competição para a elevação da qualidade e não o processo de mediocrização que acontece quando se divide tudo pelo “mínimo divisor comum”. Coisa de gente grande e que sabe que não existe contos de fadas.

Respeito ao pagador de impostos e uso diligente dos recursos para atingir o melhor resultado com o menor custo. E você embarcando na onda de que o que precisa é dar mais dinheiro ao governo… Fica esperto cara!

No próximo artigo vamos falar sobre subsídios e competitividade. Estamos quase chegando no fim da nossa série.

Um abraço educadamente focado!

Fernando Sobrinho

Índice

001 – A fórmula para fazer um país crescer – Introdução

002 – A fórmula para fazer um país crescer – País Rico = Estado Mínimo

003 – A fórmula para fazer um país crescer – Educação + Educação + Educação = Crescimento (é este artigo aqui)

004 – A fórmula para fazer um país crescer – Reduzir Subsídios e Aumentar Competitividade

005 – A fórmula para fazer um país crescer – Mágica?

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.