Vixe hoje o economês vai querer forçar a barra pra cima de nós, mas eu vou fazer um esforço para deixar as coisas em português bem claro, afinal de contas, o tema por si só é complexo e se jogarmos jargões para cá não estaremos fazendo nada diferente do que jornais e veículos da grande mídia que tem por aí, que acabam escondendo a verdade atrás de termos confusos e obscuros.

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Esse é o terceiro artigo que fazemos de 12 que estão planejados e inspirados no artigo publicado no Instituto Mises Brasil e pode ser acessado link a seguir: Quer reduzir a pobreza de maneira definitiva? De início, eis as 12 políticas que têm de ser abolidas

Políticas monetárias expansionistas e subsídios

A moeda, que está sob o total controle do governo, perde poder de compra continuamente devido às políticas inflacionistas do governo.
Para piorar, o governo estimula o setor bancário, principalmente os bancos estatais, a expandir o crédito e conceder empréstimos baratos para grandes empresas com ligações políticas. Isso faz com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta.
Os mais ricos conseguem se proteger desta perda do poder de compra por meio de aplicações bancárias e financeiras. Já os pobres, que não têm acesso a esses mecanismos, sofrem integralmente com a carestia gerada.
Políticas monetárias expansionistas e empréstimos subsidiados a grandes empresas intensificam a redução do poder de compra dos mais pobres.

Todo mundo sabe que o dinheiro sofre modificações pela ação do tempo, de modo que o que se compra com R$ 1,00 hoje, já não é possível comprar na mesma quantidade e mesma qualidade daqui a 30 dias com esse mesmo R$ 1,00.

E você vai entender aqui o mecanismo que gera esse efeito cruel que é a perda do valor do dinheiro no tempo.

O Governo possui algumas ferramentas que acabam retendo em seu poder uma parte do dinheiro que circula nos bancos, além disso, temos também os diversos fundos os quais ele não é o proprietário direto, mas o depositário fiel.

Com toda essa grana nas mãos, é fácil “comprar” influência, usar o poder do dinheiro para viabilizar que projetos pontuais saiam do papel e satisfaçam o ego de alguns políticos, ou suas necessidades financeiras, pois no final das contas os benefícios potenciais acabam por retornar para eles mesmos, principalmente, quando você está em um ambiente que o responsável por tomar essas decisões adota a lei de Gerson como padrão.

Vou pegar um exemplo hipotético (ou talvez não tão hipotético assim, enfim…) para mostrar esse ponto. Imagine que daria muito trabalho aprovar uma medida como a reforma tributária, com base apenas na discussão de argumentos com as diversas bases e partidos políticos, mesmo aqueles que façam parte da base aliada ao governo, entende que pelo modus operandi do “mecanismo” não permite simplesmente ceder por conta do alinhamento, é uma atitude tida como ingênua. Nefasto pensamento….

Em um país em que diversos setores da economia possuem poucos players (dá uma conferida em quantas empresas de telefonia existem, quantas empreiteiras, quantas distribuidoras de combustível, você vai entender que estamos falando de verdadeiros oligopólios). Mesmo em mercados que possuem diversos participantes como o e-commerce, cerca de 80% dele se concentra em 5 empresas.

Essas empresas, usando da influência que possuem, com os políticos que defendem seus interesses, acabam por conseguir uma grana emprestada com juros subsidiados, em um verdadeiro empréstimo de pai para filho. Como os valores são na casa de bilhões de reais em alguns desses empréstimos subsidiados, sobra pouca grana para que o restante da economia possa utilizar com o objetivo de se espremer no meio desse mercado de cartas já marcadas.

Só esse efeito já é ruim, pois esgota os recursos para investimentos e crescimento de empresas menores, mas não pára por aí. Veja só o que vem depois dessa farra com o dinheiro que foi emprestado.

Como o dinheiro não é suficiente para atender todas as necessidades, o que o Tesouro faz: emite Títulos do Tesouro Nacional (promessa de pagamento de juros futuro) que é disponibilizado e operado pelos Bancos, para tornar esses títulos atrativos, os juros ali depositados são muito acima do que o mercado está propiciando. Eu tenho certeza que você já ouviu muito propagandas de corretoras financeiras, de especialistas em investimentos que investir em Tesouro Nacional estava sendo uma das mais sólidos e vantajosos investimentos dos últimos tempos. Sempre que eu ouvia alguma propaganda como essa meu alerta de que algo estava errado era ligado ao máximo.

Pronto, o governo disparou a receita para tornar o dinheiro mais caro para o mercado comum pois a demanda por crédito para as mais diversas necessidades ainda existe, o dinheiro mais caro (pois esses juros estão sendo usados para poder atrair o mercado investidor) associado à baixa disponibilidade de dinheiro faz com que os empréstimos para pequenos e micro empreendedores seja muito mais caro e de forma artificial.

Ao fazer isso os “amigos do rei” são beneficiados, os muito ricos conseguem blindar seu poder de compra, enquanto que o resto do mercado vai lutar a peso de ouro pelas oportunidades restantes.

E esse ciclo não é virtuoso, pois encarecer o custo do dinheiro artificialmente pressiona empresas menores a reduzirem suas operações deixando a economia com menos concorrentes que poderia forçar a eficiência e eficácia, gerando ao final poucas empresas com caros e péssimos serviços para a sociedade.

Inflacionar artificialmente o mercado financeiro não é uma conduta inteligente para quem pensa em um projeto de país, mas é uma ferramenta eficaz nas mãos daqueles que querem um projeto de poder, pois garante efeitos no curto prazo e que são alinhados ao projeto de poder.

Ufa, sei que não foi bolinho, e caso não tenha ficado claro peço honestas desculpas de antemão e me disponho a explicar mais detidamente através do e-mail: fernando@balancofocado.com se algo não ficou totalmente claro.

Um abraço focado,

Fernando Sobrinho

Índice das 12 Políticas

01-Salário Mínimo, Encargos Sociais e Trabalhistas
02-Leis Contra o Trabalho Infantil
03-Políticas monetárias expansionistas e subsídios – (é esse artigo aqui)
04-Políticas fiscais expansionistas
05-Tarifas protecionistas
06-Crédito imobiliário subsidiado
07-Proibição de títulos de propriedade em favelas
08-Impostos indiretos
09-Agências reguladoras
10-INSS e FGTS
11-Leis anti-ambulantes
12-Burocracia e regulação
13-Conclusão

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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