Esse é um artigo traduzido de um texto enviado pelo David Allen, o pai do GTD, para quem está cadastrado na newsletter dele, por isso você não vai ter o link de onde foi encaminhado que eu normalmente disponibilizo quando traduzo esses artigos. É muito esclarecedor sobre as dificuldades em usar as listas e pode te ajudar a achar onde está o problema do seu sistema GTD e por qual motivo você não está se sentindo relaxado.
DISCLAIMER. É importante o registro, que a tradução é livre e não literal, então eu faço alguns ajustes para tentar fazer o entendimento ficar mais claro.

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Eu entendo que a resistência às listas de tarefas e as reclamações por mantê-las. Vou apresentar duas razões para isso.

A principal é que a maioria das listas de tarefas, são listas incompletas que contém coisas que ainda não foram esclarecidas.

Olhar para elas cria tanto stress quanto o que deveria ser aliviado, a princípio. Tipicamente o que as pessoas possuem em suas listas (se elas existirem) são coisas como “mãe”, “banco” e “vice-presidente de marketing”. É ótimo que elas tenham capturado algo que chamou a atenção, mas existem decisões críticas a serem feitas que exigem pensar criticamente sobre o conteúdo. Por que “mãe”? Bem, o aniversário dela está chegando em duas semanas. O que você vai fazer a respeito do aniversário da sua mãe? Bem, eu não tenho certeza ainda. Então, olhar para “mãe” em uma lista te lembra que uma decisão crítica não foi feita ainda e naquele exato momento você não tem a energia ou a capacidade mental para pensar ou tomar decisões faz com que uma parte de você acaba respondendo: “Pare de me lembrar sobre isso, eu estou sobrecarregado!”

Então, não são as listas de tarefas que são desconfortáveis por si só – é apenas o conteúdo delas que não está esclarecido. Se você especifica uma próxima ação, a respeito de “mãe”, tal como “ligar para minha irmã” para checar com ela como vocês vão comemorar o aniversário da sua mãe, esse item, em uma lista de “ligações” é muito mais atrativa e facilita partir para a ação. Eu duvido que alguém diga que uma lista de compras é uma coisa ruim, quando você vai para o mercado comprar os itens para fazer o jantar para sua mãe, não importa o tamanho da lista

A segunda razão que faz surgir resistência a listas de tarefas é que elas estão frequentemente incompletas, então você realmente não confia nas suas listas ou na sua cabeça para dar-lhe a história completa.

Há muitas coisas nas suas listas, mas ainda permanecem muitas coisas na sua cabeça que você está ativamente tentando não se esquecer e ativamente tentando ser lembrar a respeito delas (e a sua cabeça é um escritório horrível). Então, você não confia nos conteúdos do seu “cérebro externo” e duvida se foi realmente tudo capturado devidamente, aí você não consegue confiar também na sua cabeça. Esta é a maior fonte de fadiga mental e stress para a maioria das pessoas.

Então, quais são suas opções? Simples, mantenha registros de todos os seus compromisso fora da sua cabeça, em listas, ou então não faça nenhuma lista. Eu ficaria fascinado se alguém pudesse justificar intelectualmente manter-se no meio do caminho entre ambas as alternativas. Afinal de contas, sua cabeça deve ser o lugar onde você guarda todos os seus lembretes, não é? (Você pode imaginar minha resposta). Eu acho surpreendentemente hilário as pessoas em nossos cursos ficarem chateados conosco por causa do tamanho de suas próprias listas. Veja bem, são as listas deles, não as nossas!

E o problema de manter qualquer lembrete de compromissos que você fez na sua cabeça, é que aquele lugar onde você os guarda na sua psique parece não ter nenhum senso de passado ou futuro. Naquele lugar todas elas são mensagens de “Faça Agora!!” Então você acorda as 3 da manhã com o pensamento sobre o aniversário da sua mãe, quando não há qualquer possibilidade de você fazer algo a respeito. Stress.

Dito isto, se você já tem, pode, ou gostaria de simplificar sua vida de tal forma a não precisar de manter nada em um sistema externo e você simplesmente segue seus palpites internos e inclinações com as coisas se apresentando apropriadamente e de forma espontânea para você por o foco no momento certo, yay!! Eu amo não fazer nada, não planejar nada e adoro perceber que tenho que fazer algo quando tenho que fazer esse algo. Mas eu ainda preciso manter um registro das coisas que eu preciso fazer, para justificar a grana que eu peço a meus clientes que me paguem por fazer aquilo que eu faço para eles. Isso requer que eu mantenha registro dos compromissos, números de telefone, projetos que tenho que concluir e ações que preciso tomar, para produzir o valor que me pedem para agregar para eles.

Está orbitando para longe das listas de tarefas? Mantenha, ou não as mantenha.

Comentários

Resumindo, o que David está tentando dizer é que as pessoas querem que uma mágica aconteça em suas vidas, querem que o próprio cérebro faça as vezes de um aplicativo que vai te lembrar na hora e dia certos tudo aquilo que você tem que fazer para poder não ter stress e se sentir no controle da sua vida.

Uma das frases mais repetidas por David é que a cabeça é um lugar para ter idéias e não mantê-las. Então, vamos parar de reclamar e aproveitar o que o GTD nos proporciona, pagando o pedágio pequeno que nos exige para termos controle e perspectiva.

Um abraço Focado!

Fernando Sobrinho

GTD e Getting Things Done são marcas registradas da David Allen Company. 

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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