Continuando a nossa série, hoje vou traduzir os três primeiros itens de nove que Becky Kane escreveu em seu artigo no www.blog.doist.com que tem o título “Por que Gerenciamento do Tempo não vai resolver seus problemas de tempo e nove coisas que irão fazer isso”. 

Reforçando, eu sempre faço a tradução de uma forma livre, com o objetivo de transmitir o conceito que o autor escreveu e não fazer uma tradução literal e claro, à medida que o texto é traduzido, pode acontecer de eu colocar alguns dos meus insights também, para enriquecer o conteúdo. Sim eu sou bem atrevido a esse ponto rsrsrsrs.

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Vamos aos itens 1, 2 e 3 do artigo.

1-Identifique os valores que você está sacrificando para ficar ocupado:

Enquanto a sociedade atual enxerga a ocupação uma virtude, o filósofo polonês do século 19 Søren Kierkegaard descreveria como uma aflição:

“De todas as coisas ridículas, a mais ridícula para mim é estar ocupado – ser um homem que só se preocupa com sua comida e seu trabalho – Do que, eu me pergunto, essas pessoas ocupadas são feitas?”

Søren Kierkegaard

Como Stephen Evans, um filósofo, professor na Universidade Baylor, contou à revista Quartz: “Kierkegaard viu que a ocupação como um meio de distrair-se das verdadeiras e importantes questões, como quem você é e para que serve a vida. Pessoas ocupadas enchem o tempo delas, sempre tem algo para fazer, mas elas não tem princípios guiando suas vidas. Tudo é importante, mas nada é importante.”

Isso não significa que tudo o que você está atualmente fazendo é sem sentido. Mas se nós estamos tão ocupados para perguntar se nossos valores estão guiando nossas ações, a inércia da ocupação pode nos levar para um destino diferente daquele que nós intencionávamos.

Você valoriza passar um tempo do lado de fora, mas na verdade não sai para dar uma caminhada na rua em meses? Você valoriza o aprendizado, mas não tem tempo para desenvolver uma nova habilidade? Você valoriza os relacionamentos com amigos, família, colegas de trabalho, mas está muito apressado para estar inteiramente presente quando você está com eles?

Pode valer à pena sacrificar um pouco de eficiência, para abrir espaços para aquelas coisas que você decidiu que são importantes.

2- Aceite que você não pode fazer tudo:

Ao invés de deixar aquelas dezenas de gatilhos para ansiedade, tarefas incompletas que vão se tornando uma bola de neve na sua lista de tarefas dia após dia, apenas tire-os. O colunista do Guardian, Oliver Berkeman, descreve a liberdade de aceitar que você não consegue fazer tudo:

“Você pode, ao invés disso, para questões mais administráveis do que aquelas coisas que vai deliberadamente negligenciar. O vácuo? A reunião semanal que ninguém dá bola de toda forma? Comece assumindo que alguma coisa tem que ser entregue, e concentre-se no quê.”

Se você usa um gerenciador de tarefas como o Todoist, sinta-se confortável com as funções de postergar e deletar. Se você não pode simplesmente excluir a tarefa, dê a si mesmo permissão para ativamente parar de preocupar-se sobre ela, movendo-a para uma pasta de Algum Dia/Talvez. Você vai acabar produzindo a mesma coisa, mas vai se sentir um tanto melhor sobre isso.

3- Faça uma coisa de cada vez (mesmo aquelas coisas não prazerosas):

Com as nossas já sobrecarregadas agendas, é tentador espremer mais e mais coisas em espaços menores de tempo. Nós respondemos emails enquanto estamos tentando fazer o trabalho. Nós navegamos na Internet enquanto estamos comendo. Nós conversamos no telefone enquanto estamos dirigindo. Nós vamos mudando de tarefa em tarefa em um constante estado de atenção parcial. Um estudo feito em Harvard com 2.250 adultos descobriu que nós gastamos metade do tempo focando em uma coisa de cada vez.

Ainda no mesmo estudo, revelou-se que nós somos mais felizes quando estamos focando naquilo que estamos fazendo no momento. “Desvios da mente são um excelente preditor da felicidade das pessoas”, diz Matthew Killingsworth, o pesquisador líder do estudo. “De fato, a frequência com que nossas mentes deixam o presente e o destino que tendem a ir é a melhor forma de prever nossa felicidade do que as atividades em que estamos envolvidos”

Uma mente presente é uma mente feliz:

  • As pessoas gastam 46,9% do seu tempo pensando sobre alguma outra coisa quando elas estão fazendo alguma atividade.
  • Apenas 4,6% da felicidade de uma pessoa em um dado momento é atribuível à atividade específica que ele ou ela está fazendo.
  • Em comparação, uma pessoa que desvia a mente tem sua felicidade afetada em 10,8%.

Pare e cheque sua cabeça por um segundo. O que estamos fazendo é menos importante para nossa felicidade do que quão presente nossas mentes estão enquanto estamos fazendo. Nós somos mais felizes quando nós focamos em apenas lavar os pratos do que quando nós lavamos os pratos enquanto estamos planejando o que vamos fazer para o jantar, contemplando a lista de tarefas do dia seguinte, ou querendo saber se aquele comentário que seu colega de trabalho fez na reunião de hoje foi sincero ou um insulto velado.

Você não precisa meditar para ser mais presente na vida (apesar que fazer isso não dói) – apenas transforme suas atividades diárias como limpar, comer e cozinhar em atividades conscientes, esteja inteiro nelas. Quando você perceber seus pensamentos indo para aquela apresentação que você tem certeza que bagunçou tudo ontem ou nas pilhas de trabalho que estão te esperando amanhã, tome um fôlego e traga sua atenção de volta para o que você estava no momento.

Acima de tudo, seja paciente consigo mesmo. Como qualquer outra habilidade, quanto mais você pratica a autoconsciência, mais fácil ela se torna.

Espero que você tenha gostado desses três primeiros itens para você começar a perceber que como você gasta o seu tempo tem muito mais relevância. Até o próximo artigo onde vou trazer mais três coisas para te ajudar a gerenciar suas prioridades.

Um abraço gerenciadamente focado,

Fernando Sobrinho

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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