O que aconteceu com a Geração Y? A Geração da inovação, das soluções fora da caixa, do potencial ilimitado, por que ela está triste. Quais são as razões para ela estar nessa enorme crise de identidade, uma crise que faz os nascidos entre o final da década de 70 e meados da década de 90 não estarem realizados?  Sim, se as coisas não vão bem na cabeça, é certeza que a produtividade não vai rolar. 

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E aí? Tudo bom? Eu quero viver em um Brasil produtivo e ajudar pessoas a serem sua melhor versão.  Para isso compartilho técnicas de produtividade e formas de como fazer melhor as coisas. Meu nome é Fernando Sobrinho e você está no Balanço Focado!

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Tema Principal

E vamos ao tema principal do nosso episódio de hoje.

Segundo os números levantados pela OECD – Organization for Economic Cooperation and Development o uso de antidepressivos disparou pelo mundo, dobrando a quantidade de usuários na última década. Isso em 2013 que é de onde trago uma reportagem que pode ser acessada na transcrição desse episódio (aqui).

Ainda, segundo essa postagem, o relatório revela que o aumento do consumo pode ser explicado pela prescrição de antidepressivos para casos mais leves. Nos Estados Unidos, mais de 10% dos adultos consomem medicamentos antidepressivos. Já na China, esse mercado cresceu cerca de 20% nos últimos três anos. Em Portugal e na Espanha, a taxa de crescimento de 20% ocorreu nos últimos 5. Já no Brasil para o mesmo período foram vertiginosos 48% de crescimento. 

As estimativas da Organização Mundial de Saúde para os próximos 20 anos são preocupantes. Possivelmente já em 2020 a depressão será a segunda doença mais prevalente no mundo, atrás somente do infarto agudo do miocárdio e isso poderá se inverter já em 2030.

Esses números do Brasil eram de 2013, quando pesquisei agora em 2018, a informação que obtive é que tivemos nesse período de 2013 a 2018 um aumento de 100% do consumo.

Tentando entender essa situação eu esbarrei com um texto, originalmente produzido em inglês e disponível no Wait But Why, mas que foi traduzido por Augusto Rey em Setembro de 2013. 

Esse texto conta em formato de uma história uma possível razão para esse aumento grande de consumo de antidepressivos.

No texto original em inglês a personagem é a Lucy, mas na tradução escolheram Ana para a protagonista da história. Ana é o nome da minha filha caçula…

Esta é a Ana.

No texto tem o desenho de uma menininha, que imagino todo mundo deve conhecer esse tipo de desenho, quando você desenha a bolinha e os risquinhos para fazer o corpo e os braços, e aí fizeram um cabelo de menininha nela. Na transcrição do episódio todas as imagens que vou tentar descrever aqui vão estar disponíveis. Vamos lá, vamos continuar o texto.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

Pausa para explicar o que é Yuppie.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. –Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” na sigla em inglês que significa (Gen Y Protagonists & Special Yuppies), então denominamos daqui para frente os GYPSYs. Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana.

Só tem uma pequena coisinha atrapalhando: Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana.

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que as deles próprios. 

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Aí mostra um gráfico né? Onde você tem na coluna vertical o sucesso e na horizontal o tempo. E uma linha que demonstra uma graminha rala no início e demora um certo tempo para que o Sucesso seja elevado e a grama vai ficando mais verde e esse sucesso e esse tempo, tem um trabalho duro durante muitos anos. Essas são as Expectativas dos Baby Boomers sobre as carreiras deles.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, a expectativa era que durante bastante tempo eles iam trabalhar duro eles iam ter o sucesso só que a realidade foi que esse sucesso foi maior e veio até um pouquinho antes, essa grama foi ficando melhor um pouquinho antes na vida deles. Então o que aconteceu com os pais da Ana, eles tiveram felicidade pois estavam esperando menos e realizaram mais.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente.

O gramado digno de um GYPSY deveria também ter flores.Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa em que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Esta é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significa nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isso estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e é aí que está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir.

Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Voltamos lá para o gráfico do sucesso na vertical com o tempo na horizontal. O gráfico da Ana mostra uma linha que se acelera muito rápido, ela sobe muito, ela tem muito sucesso em pouco tempo e a grama verde e florida com um unicórnio em cima aparece logo cedo na sua vida.

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e pior “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se encontra aqui:

Aí aqui a Ana está na realidade, a graminha dela não está verde e florida, ela está muito longe de estar com a graminha verde e florida e com um unicórnio em cima e isso é a diferença entre a realidade e a expectativa. Essa diferença em que a realidade dela é pior que o que ela tinha de expectativa é o que causa a frustração e o desapontamento.

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas da classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde:

A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos;
B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e
C) as pessoas que expõe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação.

Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

A imagem é muito interessante. Todo mundo que está no nível da Ana, na realidade, está compartilhando uma realidade parecida. Só que nas redes sociais eles mostram uma realidade que é parecida com aquela expectativa e aí o que a Ana percebe? Ela percebe que aqueles colegas dela estão “alcançando” aquele sucesso e aquela alegria e ela não. Isso faz a Ana ficar ainda mais frustrada.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo até muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa Ana. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial Ana. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por um bom tempo.

3)Ana Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

E tem um quarto recado para a Ana que esse sou eu que dou.

4) Ana ignore as pessoas que dizem que você está fazendo mais que elas. Sim, eu já fui assediado com esse tipo de conversa, e até amigos meus já foram assediados também. Normalmente a desculpa é dada com o seguinte argumento: “se você fizer muito mais que nós, o chefe vai jogar mais serviço”. Isso é verdade, haverá mais serviço para ser feito no fim do que você terminar e isso é uma coisa boa, pois como já dizia um antigo chefe meu: “trabalho dá trabalho”.

Lembra daquele sucesso e a realização de se tornar importante? É por aqui o caminho.

Encerramento

Obrigado por ter chegado até aqui. Hoje participaram do nosso programa Talita, Guilherme, Aline, Luzia, Frederico, Caio, Ivo, os avós da Ana, os pais da Ana, a Ana, você ouvinte, que está perseguindo sua felicidade e eu que só quero ajudar cada um vencer a corrida consigo mesmo, Fernando Sobrinho. Tchau

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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