O episódio anterior foi uma isca que abriu um apetite principalmente sobre como será o mundo depois da Geração Y. Sim, se ela já está “causando”, o que podemos esperar da turminha que vem depois? 

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O que vem depois da Geração Y?

Depois de explorarmos um pouco os motivos da geração Y estar frustrada, hoje vou mostrar pra você o que pode estar acontecendo com a geração que vem depois da geração Y. Ela já tem até nome, é a geração Z e compreende os nascidos a partir de 1995. Considerando que esse programa está sendo lançado em 2018, alguns representantes dessa geração já estão chegado ao mercado de trabalho. E é importante saber que a frustração da Geração Y não deveria influenciar como a Geração Z está se desenvolvendo, mas está. E isso já está impactando como as empresas geram resultados.

O texto que eu vou pautar o programa é de Eliane Brum, que é jornalista, escritora e documentarista, já ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. Na transcrição desse episódio vou deixar fácil o link onde você pode ter acesso ao texto onde ele foi postado originalmente bem como o contato e o twitter da Eliane.

O nome do artigo dela é: Meu filho, você não merece nada! Se acomode aí confortavelmente no seu sofá favorito, aproveite sua caminhada ou corrida, divirta-se lavando a louça ou enfrente o trânsito da sua cidade e vamos juntos.

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação das suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam de tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Pausa aqui para uma reflexão. Se você acompanha meus podcasts já ouviu que eu falo no episódio 32 sobre Victor Frankl e a questão de como o sofrimento pode ter algum sentido na vida e principalmente sobre os riscos que a ideia de felicidade constante e infinita podem gerar nas pessoas. Quando a realidade da vida bate à porta de quem está despreparado para enfrentá-la. Minha esposa e eu sempre temos a preocupação de mostrar isso para nossos filhos, diz um velho ditado que treino forte faz a luta ficar fácil, é com essa pegada que estamos desenvolvendo eles. E o motivo para fazer as coisas dessa forma é que se nós não os prepararmos agora, a vida depois vai cobrar isso deles, vai ensiná-los, mas sem o amor e carinho que só nós podemos dar.

Vamos continuar o texto da Eliane então.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, as duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como das suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Mais uma intromissão cabe aqui. O Luciano Pires criou um termo, que explica a capacidade de suportar as vicissitudes da vida, de enfrentar os dissabores que todos somos ou mais ou menos submetidos e isso acabar não afetando o que você é de verdade.  Ele chama isso de armadura emocional. E o que seria exatamente essa armadura? É o conjunto de experiências positivas e negativas vividas + aprendizado sobre elas + esforço para autoconhecimento e uma pitada de resiliência. E quem não tem uma armadura emocional forte, vai acabar sofrendo muito como podemos entender continuando com o texto.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual (medicamentos, cara quantos diagnósticos que geraram uma criança ser medicada, que talvez, só talvez seria um caso de presença e mais diálogo com os pais, qual a razão para essa busca constante de achar que uma pílula, um dispositivo, um aplicativo vai substituir a presença física, real, inteira de pais na vida de seus filhos e vice-versa?) bom, vamos continuar aqui. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Eu vou ter que intervir de novo. Essa espiral de silêncio cobra seu pedágio e geralmente em um momento em que muito pouco pode ser feito para consertar alguma coisa…. vamos voltar ao texto.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

O que me faz lembrar aqui como que os jovens tem adiado essa transição para a vida adulta né? Cada povo tem sua cultura sobre isso, mas no Brasil estamos vivendo sob uma ameaça enorme, pois, segundo dados da PNAD Contínua que é uma  Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – feita pelo IBGE, cerca de 12 milhões de jovens entre 15 e 29 anos estão sendo chamados de “nem, nem, nem” nem estudam, nem trabalham, nem estão procurando emprego. Corresponde exatamente aos últimos integrantes da Geração Y e toda a Geração Z. Segundo a pesquisa, a falta de estímulos em casa para ir cuidar da própria vida é a principal responsável por esse fenômeno. Sacou aqui que os pais estão mutilando os filhos? Estão tentando inutilmente evitar um sofrimento, mas que postergando da forma como estão, acabará sendo responsável por mais sofrimento. Bom vamos aqui para concluir o texto da Eliane….

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou ainda “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele e nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter que conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falha não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Bom, eu saí de casa aos 23 anos para me casar, minha esposa, aos 19, com 25 e 21 anos, respectivamente já estávamos morando a 500 km de nossa cidade natal e posso garantir, ter sido educado para permitir que no meu repertório eu tivesse a caixa de ferramentas para lidar com essa vida longe dos pais foi fundamental para que hoje, alguns quilos a mais, alguns tropeços financeiros, graduados, sendo pais de um casal de filhos maravilhosos e com casa própria fruto do suor do nosso trabalho, minha esposa e eu nos sentimos realizados e considero um crime poupar qualquer ser humano de viver essa experiência.

Encerramento

É… bom, a gente já tá indo embora né? Chegamos ao final de mais um programa.

Ehoje estiveram aqui conosco, Juliano Graça, Nilton , Juliano Oliveira, Rafael, Ricardo, Eliane Brum, você ouvinte focado e eu que quero ajudar a galera a achar o seu propósito, Fernando Sobrinho.

Tchau!

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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