E aí? Descansou? Curtiu bastante as festas de fim de ano? Espero que o seu fim de ano tenha sido tão bom quanto o meu. Agora é hora da gente voltar ao normal. 
Vocês devem ter percebido que os últimos episódios tem uma conexão sobre a questão do sofrimento, como ele é encarado pela geração atual, aliás, como ele é evitado pela geração atual, e no programa de hoje, quero fechar esse tema com algumas reflexões adicionais. 

Posso entrar? 

E aí? Tudo bom? Eu quero viver em um Brasil produtivo e ajudar pessoas a serem sua melhor versão.  Para isso compartilho técnicas de produtividade e formas de como fazer melhor as coisas. Meu nome é Fernando Sobrinho e você está no Balanço Focado!

Recados

Mas antes, vamos aos recadinhos do coração:

Você sabe o que Rafael Medeiros, Paulo Oliveira, Matheus Oliveira, Eduardo Ferrari, Rodrigo Montalvão, Bruno Coelho, Josué Cantuária, Luís Gustavo, Filipe Reimer, Michel Cambri, Rodrigo Couto e Ricardo Beraldo tem em comum? Não? Eles são protagonistas da construção de um Brasil mais produtivo, junto comigo aqui no Balanço Focado.

E para você se tornar um também é muito fácil, vá no nosso menu na página inicial e clique em Quer Ajudar? Escolha a sua plataforma preferida para realizar seu apoio com R$ 5,00 mensais.

Tem outro jeito de ajudar o Balanço Focado também e vários ouvintes  já estão fazendo isso: compartilhe nosso conteúdo com familiares, amigos e colegas de trabalho.

Assim você também vai estar ajudando a tornar o Brasil um país mais produtivo.


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E a Rifa dos CDs ainda está rolando! Lembro que ela se encerra em 8 de Fevereiro e é sua grande oportunidade de ajudar um trabalho humanitário correndo o risco de levar para casa quase 1000 CDs do acervo pessoal do Luciano Pires. Escute o recado dele aí:

Bom dia, boa tarde e boa noite, meu nome é Luciano Pires e este é o seu cafezinho.
Integrante da Confraria Café Brasil, o Pastor da Primeira Igreja Batista de Cerquilho, Ronny Clayton D’Ajuda, faz campanhas para ajudar famílias carentes, entidades de assistência social e também para levar recursos e esperança para crianças e famílias africanas quando de suas viagens humanitárias para aquele continente. Ele já esteve por lá seis vezes e a cada volta traz histórias impressionantes de pessoas que não têm o mínimo para sobreviver, mas que continuam alegres e confiantes no futuro.
Conseguir recursos para essas obras é sempre um desafio, então resolvi fazer o seguinte: peguei a coleção de quase 1000 CDs de MPB que juntei ao longo da vida e que utilizo como fonte de inspiração cultural para compor os mais de 600 episódios do podcast Café Brasil e disponibilizei na Confraria Café Brasil. Um grupo de Confrades se ofereceu para catalogar os CDs e criar uma campanha no Kickante. Na verdade uma rifa, que funcionará assim: se a campanha conseguir levantar até 10 mil reais nos próximos 60 dias, o lote de CDs será sorteado entre todos que contribuíram. Esse dinheiro será então doado para as obras do Pastor, tudo perfeitamente controlado e acompanhado.
É uma forma de fazer uma corrente do bem, capaz de garantir socorro, educação ou um teto para quem precisa, na África e no Brasil. Esta campanha não tem nenhum cunho religioso, é apenas a iniciativa de um grupo de pessoas que diariamente trocam mensagens dentro de um grupo no Telegram e que viram algum sentido em transformar esse relacionamento numa ação efetiva de ajuda ao próximo. Se vai dar certo, a gente não sabe, mas este Cafezinho é um convite para que você faça parte.

Quer ajudar o Luciano? Acesse esse link aqui que vou passar:  http://bit.ly/rifadaconfrariacafebrasil vou repetir http://bit.ly/rifadaconfrariacafebrasil. Boa sorte!

Tema Principal – Como a frustração pode nos ajudar a resolver problemas?

Você já deve ter ouvido falar da história da borboleta que não pode ser ajudada a sair do casulo e que se interferimos nesse processo natural, ela não consegue se desenvolver de maneira adequada e acaba morrendo antes da hora por conta de predadores, já que ela não vai conseguir voar.

E depois de ter conhecido o projeto israelense de irrigação no deserto chamado de Orvalho de Deus, me chamou a atenção um fato descrito pelo engenheiro agrônomo que estava sendo entrevistado: por conta da água ser salobra, as plantas estão sob um stress constante e para compensar o desconforto do sal elas acabam produzindo frutas mais doces que uma planta que não é submetida a esse tratamento.

Vários médicos recomendam que as crianças devem ter contato com terra e animais domésticos, pois isso treina o seu organismo a produzir mais anti-corpos tornando essas crianças em indivíduos mais resistentes a doenças.

E outro clássico dessa questão de transformar dificuldades e sofrimento em algo bom, é o caso das ostras, que produzem uma pérola em função de algum grão de areia ou outra partícula que lhe causa desconforto.

Dificuldades e frustrações são coisas que a maioria das pessoas busca evitar, senão a todo custo, com todas as ferramentas disponíveis. 


Será que essa corrida pelo não sofrimento, essa busca incessante pela felicidade full time está nos ajudando a sermos melhores seres humanos? Ou uma mudança nessa forma de encarar os problemas, dificuldades, sofrimento pode verdadeiramente cumprir esse papel? A história de hoje vai te ajudar a repensar o sofrimento e a dificuldade são só negativos. Veja, não é buscar com as próprias mãos o sofrimento e a dificuldade, só malucos fazem isso. Eu acredito muito naquela frase que diz o seguinte: não é o que acontece com você o que te define, mas como você reage ao que acontece com você.


Para me ajudar nessa tarefa de hoje vou apresentar para você uma palestra também proferida no TED em Setembro de 2015 pelo Economista, Jornalista e Apresentador inglês Tim Harford. O nome da apresentação dele é “Como a frustração nos torna mais criativos”, e foi traduzida e revisada por Maricene Crus e Andrea Mussap, respectivamente. Aqui eu vou tomar a liberdade de fazer alguns comentários meus e também adaptar um pouco a apresentação para o formato de podcast. Aproveito para lembrar que os links para a apresentação do Tim na plataforma TED e Youtube estarão disponíveis na transcrição, e que o que estiver escrito em itálico na transcrição é da apresentação do Tim e o que estiver em negrito é a minha contribuição. Então vamos lá.

No final de janeiro de 1975, uma garota alemã de 17 anos, chamada Vera Brandes, subiu no palco do Teatro Ópera de Colônia. Só para nossa cultura aqui, Colônia é a quarta maior cidade da Alemanha, atrás de Berlim, Hamburgo e Munique. Atualmente conta com certa de 2,5 milhões de habitantes, é uma Belo Horizonte aí. E lá em 1975 ela já tinha uma população de pouco mais de um milhão de habitantes, vamos voltar. O auditório estava vazio, iluminado apenas pela fraca luz verde da saída de emergência. Este era o dia mais emocionante da vida de Vera. Ela era a promotora de concertos mais jovem da Alemanha, e tinha persuadido o Teatro Ópera de Colônia a apresentar um concerto de jazz de fim de noite do músico americano, Keith Jarrett. Mil e quatrocentas pessoas vieram. E em apenas algumas horas, Jarrett subiria naquele mesmo palco, ele se sentaria ao piano e sem ensaio ou partitura, ele começaria a tocar.

Mas, nesse momento, Vera estava apresentando Keith para o piano que ele usaria, e as coisas não iam bem. Keith observou o instrumento com certa cautela, tocou algumas notas, andou ao redor dele, tocou mais algumas notas, e murmurou algo a seu produtor. Em seguida, o produtor se aproximou de Vera e disse: “Se você não conseguir outro piano, Keith não pode tocar”.

Infelizmente houve um engano: o teatro havia fornecido o instrumento errado. Esse piano tinha um registro agudo duro e metálico, pois todo o feltro havia se desgastado. As teclas pretas estavam se prendendo e as brancas estavam desafinadas, os pedais não funcionavam e o piano era muito pequeno. Ele não teria volume suficiente para preencher um espaço grande como o Teatro Ópera de Colônia.

Então Keith Jarrett foi embora. Ele saiu e se sentou em seu carro, deixando que Vera Brandes fizesse uma ligação para tentar encontrar um piano substituto. Ela encontrou um afinador de piano, mas não conseguiu arrumar outro instrumento. Então, ela saiu e ficou conversando com Keith debaixo da chuva, implorando a ele para não cancelar o concerto. Ele olhou para fora do carro, para aquela adolescente alemã, encharcada pela chuva, sentiu pena dela, e disse:”Nunca se esqueça… apenas para você”.

E assim, algumas horas mais tarde, Jarrett, de fato, subiu ao palco do teatro de ópera. Ele se sentou ao piano que não funcionava e começou a tocar.

Em instantes, ficou claro que algo mágico estava acontecendo. Keith estava evitando os registos agudos, estava tocando os tons medianos do teclado, o que deu à peça uma qualidade serena e ambiente. Mas também, por ser um piano tão silencioso, ele teve que forçar uns “riffs” estrondosos e repetitivos no baixo. E ele se levantou se contorcendo, batendo sobre as teclas, tentando desesperadamente criar um volume que chegasse até às últimas fileiras.


Foi uma apresentação eletrizante. De certa forma, ela tem uma serenidade, e, ao mesmo tempo, é cheia de energia, é dinâmica. E o público adorou. O público continua a amá-la, pois a gravação de “Köln Concert” é o álbum de piano mais vendido da história, e o álbum de jazz solo mais vendido da história também.


Keith Jarrett tinha recebido uma confusão. Ele aceitou aquela confusão, e a resolveu. Mas vamos pensar por um momento sobre o instinto inicial de Jarrett. Ele não queria tocar. Claro! Acho que qualquer um de nós, numa situação remotamente semelhante, se sentiria da mesma forma, e teria o mesmo instinto. Não queremos que nos peçam para fazer um bom trabalho com ferramentas ruins. Não queremos ter que superar obstáculos desnecessários. Mas o instinto de Jarrett estava errado, e felizmente ele mudou de ideia. E acho que nosso instinto também é errado. Acho que precisamos dar um pouco mais de consideração às vantagens inesperadas de ter que lidar com um pouco de confusão. Deixem-me dar a vocês alguns exemplos de psicologia cognitiva, da ciência e da complexidade, da psicologia social, e, claro, do rock-and-roll.


Mas antes, vou contar uma história. Eu trabalho com fatores muito concretos, definição de carga de trabalho, cálculo para saber qual é o efetivo necessário para realizar alguma atividade produtiva e desenvolvimento e melhoria de processos para tornar essas atividades produtivas mais eficientes, então eu sempre soube avaliar se os recursos existentes para uma atividade eram suficientes para aquela demanda ou não. Eu sou aquele cara que não enxerga o copo meio cheio nem meio vazio. Um copo pela metade para mim só indica uma coisa, que a capacidade do copo é duas vezes maior que demanda. Dito isso, a um tempo atrás eu tinha uma equipe que trabalhava com distribuição de encomendas, só que dela 7 integrantes precisavam fazer atividades internas para realizar a expedição dos malotes que foram coletados por essa unidade que eu gerenciava. A demanda por atividades externas estava aumentando na base de 30 a 50% ao ano, o que significava que em dois anos eu poderia estar com o dobro de demanda, mas a mesma quantidade de empregados para fazer o dobro de atividades. Minha saída era fazer com que as atividades internas, ocupassem cada vez menos empregados, e foi exatamente isso que eu fiz. Fomos melhorando os processos eliminando atividades que não agregavam valor e a cada empregado que não participava mais dessa atividade de expedição eu comemorava. Até que um dia chegamos a ter apenas um empregado realizando a expedição de 100% dos malotes. Uso de processos mais enxutos, equipamentos que minimizavam movimentação, mas principalmente: o modelo mental certo para conseguir não aumentar a quantidade de empregados e ter as atividades sendo equilibradas entre eles foram fundamentais para que eu conseguisse fazer esse piano com problemas tocar. Voltando ao nosso texto do Tim.


Psicologia cognitiva. Nós, na verdade, sabemos há um tempo que certos tipos de dificuldade, certos tipos de obstáculo, podem melhorar nosso desempenho. Por exemplo: o psicólogo Daniel Oppenheimer, alguns anos atrás, uniu-se com professores do ensino médio. Ele pediu a eles para reformatar as apostilas que estavam distribuindo para algumas de suas turmas. Assim, a apostila comum seria formatada com algo simples, com as fontes “
Arial” ou “Times New Roman“. Mas metade dessas turmas estavam recebendo apostilas formatadas em alguma fonte intensa como “Haettenschweiler(Nossa Senhora!), ou algo com uma vivacidade picante, como “Comic Sans“, em itálico. Estas fontes são realmente feias, e têm uma leitura difícil. Mas, ao final do semestre, alunos receberam suas provas, e aqueles que tiveram que ler as fontes mais difíceis, tinham se saído melhor em suas provas, em uma variedade de assuntos. E a razão é: as fontes difíceis os deixaram mais lentos, e obrigaram a trabalhar um pouco mais, a pensar um pouco mais o que estavam lendo, a interpretar o texto…e, assim, eles aprenderam mais.

Você já percebeu o quanto a vida da molecada de hoje está fácil em termos de achar as informações que precisam para fazer os trabalhos da escola? Se você foi aluno nas décadas de 80 e 90, certamente fez muitos trabalhos pesquisando em livros nas bibliotecas públicas e se você teve sorte, seus pais compraram aquelas coleções gigantes de enciclopédias que tinham quase tudo do mundo. Hoje as crianças estão a um Google de distância de qualquer informação que precisam. Bom, vamos lá.

Outro exemplo. A psicóloga Shelley Carson tem testado alunos de Harvard para verificar a qualidade dos seus filtros de atenção. O que quero dizer com isso? Imaginem que vocês estejam num restaurante, estejam conversando, com todo tipo de outras conversas acontecendo nesse restaurante. Vocês querem filtrá-las e se concentrar naquilo que importa a vocês. Conseguem fazer isso? Se conseguem, vocês têm filtros de atenção bons e firmes. Mas algumas pessoas realmente lutam com isso. Alguns alunos de graduação da Carson lutaram com isso. Eles tinham filtros fracos e porosos, que permitiram a interferência de muita informação externa. E isso significava que eles eram constantemente interrompidos pelas visões e sons do mundo ao redor e se havia uma televisão ligada enquanto faziam seus trabalhos, eles não conseguiam isolá-la.

Agora, vocês veriam isso como uma desvantagem…mas não! Quando Carson observou o que estes alunos tinham conseguido, aqueles com os filtros fracos foram muito mais capazes de obter algum marco criativo real em suas vidas, como ter publicado o seu primeiro romance, ou ter lançado seu primeiro álbum. Essas distrações eram, na verdade, uma vantagem para eles. Eles conseguiram pensar fora da caixa, pois a caixa deles tinha muitos buracos.

Mais uma experiência pessoal aqui. Eu cresci em uma casa que tinha a seguinte prática, televisão ligada, um ou dois rádios ligados e eu estudando no meio dessa desorganização sensorial kkkkk. (é sério, minha esposa dizia que era uma casa de loucos). Mas é importante uma coisa nem toda atividade cognitiva é boa para ser feita com essa bagunça. Principalmente aquelas que exigem concentração e foco, a questão é que isso é muito variável de pessoa para pessoa e você deve achar o seu ponto deequilíbrio ideal. Um outro ponto, e isso já foi comprovado também, é que muitas fontes de estímulos são boas para atividades criativas, se as atividades são rotineiras mais silêncio, mais calma é melhor.

Vamos falar sobre a ciência da complexidade. Como resolver um problema complexo – o mundo é cheio deles – como resolver então um problema que é realmente complexo?

Por exemplo, você tenta fazer um motor a jato. Existem muitas variáveis: a temperatura de funcionamento, os materiais, as diferentes dimensões, a forma… Não se pode resolver esses problemas de uma vez só. Então, o que fazer? Bem, uma coisa que se pode fazer é tentar resolver isso passo-a-passo. Então, você tem um tipo de protótipo você o ajusta, testa, e o aprimora. Você o ajusta, testa, e o aprimora novamente. Agora, essa ideia de ganhos marginais acabará dando um bom motor a jato. E ela tem sido amplamente implementada no mundo. Vocês ouvirão sobre isso, por exemplo, em ciclismo de alta performance; web designers falarão sobre otimizar suas páginas da web, buscando estes ganhos passo-a-passo.

Essa é uma boa maneira de resolver um problema complicado. Mas sabem qual uma maneira melhor? Uma pitada de confusão. Você adiciona aleatoriedade, logo no início do processo, toma decisões malucas, tenta coisas absurdas que não deveriam funcionar, e isso poderá fazer com que a solução do problema funcione melhor. E a razão para isso é que o problema com o processo passo-a-passo, os ganhos marginais, pode orientar você, gradualmente, para um beco sem saída. E se você começar com a aleatoriedade, isso se torna menos provável, e sua solução de problemas torna-se mais robusta.


Vamos falar sobre psicologia social. A psicóloga Katherine Phillips, com alguns colegas, deu, recentemente, enigmas de mistério de assassinatos para alguns alunos, eles se reuniram em grupos de quatro e receberam dossiês com informações sobre um crime, álibis e provas, depoimentos de testemunhas e três suspeitos. Os grupos de quatro alunos foram convidados a descobrir o assassino. E havia duas conduções neste experimento. Em alguns casos, os grupos eram formados por quatro amigos, todos eles se conheciam bem. Em outros casos, três amigos e um estranho. 


Obviamente, eu vou dizer que os grupos com o estranho resolveram o problema de modo mais eficaz, e é verdade, eles resolveram. Assim, os grupos de quatro amigos, tiveram apenas 50% de chance de obter a resposta certa, o que não é tão legal,em múltipla escolha, para três respostas? Para três respostas 50% não é bom.


Os três amigos e o estranho, mesmo que o estranho não tivesse nenhuma informação extra, mesmo que fosse apenas um caso de como isso mudou a conversa para acomodar esse constrangimento, os três amigos e o estranho tiveram uma chance de 75% de encontrar a resposta certa; um grande salto no desempenho.

Mas o que acho realmente interessante não é que os três amigos e o estranho fizeram um trabalho melhor mas como se sentiram a respeito. Quando Katherine Phillips entrevistou os grupos de quatro amigos, eles tinham se divertido, e achavam também que tinham feito um bom trabalho. Eles estavam satisfeitos. Quando ela falou com os três amigos e o estranho, eles não tinham se divertido, tinha sido bem mais difícil, e um pouco constrangedor… e eles ficaram cheios de dúvidas. Eles não achavam que tinham feito um bom trabalho, apesar de terem feito. E acho que isso exemplifica o desafio com o qual estamos lidando aqui.

Depois que vi esse trecho entendi que de certo modo, o estranho gerava no grupo aquele lance de buscar a objetividade. Já no grupo de amigos como eles estavam confortáveis e dessa forma parte do objetivo comum (grupo unido, confortável) estava garantido eles não tinham nenhum desafio, eles não tinham nenhum problema a ser resolvido.  Vamos lá, vamos continuar.

Porque, sim, a fonte feia, o estranho constrangedor, a mudança aleatória…essas perturbações nos ajudam a resolver problemas, elas nos ajudam a tornarmos mais criativos. Mas não sentimos que elas estejam nos ajudando, sentimos na verdade que elas estão nos atrapalhando…e, assim, nós resistimos. Por isso o último exemplo é realmente importante.


Quero falar sobre alguém do mundo do rock-and-roll. E pode ser que vocês o conheçam; de fato. O nome dele é Brian Eno.Ele é compositor de música ambiente, muito genial.

Ele também é um tipo de catalisador por trás de alguns dos grandes álbuns do rock-and-roll dos últimos 40 anos. Ele trabalhou com David Bowie em “Heroes”, com o U2 em “Achtung Baby” e “The Joshua Tree”, trabalhou com a banda Devo, com o Coldplay, na verdade o Brian trabalhou com um monte de gente. E o que ele faz para deixar essas grandes bandas de rock melhores? Bem, ele cria uma confusão. Ele interrompe seus processos criativos. É função dele ser o estranho inoportuno. É função dele dizer a eles que precisam tocar o piano que não está funcionando direito.

E uma das formas com a qual ele cria essa interrupção é através de algumas cartas de baralho. Elas são chamadas de “As Estratégias Oblíquas”, e Brian as desenvolveu com um amigo dele. Então quando eles estão gravando no estúdio, Brian pega uma das cartas ao acaso, e faz a banda seguir essas instruções.


Então, uma das cartas diz assim: “Troquem de instrumentos”. Todos trocam de instrumentos: baterista ao piano, o pianista para a guitarra, o vocalista para a bateria, assim sucessivamente. É uma ideia brilhante.


Outra carta diz assim: “Observe atentamente detalhes mais embaraçosos e amplifique-os.” Quer dizer, se alguém está fazendo alguma coisa errada, alguma coisa que não vai dar certo, eles amplificam para isso gerar algum tipo de incômodo.


Outra carta diz assim: “Tome uma atitude súbita, destrutiva, e imprevisível. Incorpore.” 


Phil Collins estava tocando bateria num álbum antigo do Brian Eno. Ele ficou tão frustrado que começou a jogar latas de cerveja pelo estúdio. Carlos Alomar, grande guitarrista de rock, trabalhando com Eno no álbum “Lodger”, de David Bowie, num dado momento se vira para Brian e diz: “Brian, esta experiência é absurda”. Mas a coisa é que foi um álbum muito bom. Carlos Alomar, 35 anos depois, agora usa as estratégias oblíquas. E ele pede a seus alunos que as usem porque ele percebeu uma coisa: não gostar de algo não significa que isso não esteja ajudando você.


Originalmente, as estratégias não eram cartas de um baralho, eram só uma lista na parede do estúdio de gravação. Uma lista de coisas que você poderia tentar se ficasse emperrado. A lista não funcionou e sabe por quê? Não era confusa o bastante. Seu olho ia até o final da lista e se contentava com qualquer coisa que fosse a menos perturbadora, a menos problemática, o que, naturalmente, perde todo o propósito.


E o que Brian Eno percebeu foi que, sim, precisamos fazer os experimentos absurdos, temos que lidar com estranhos inoportunos, precisamos tentar ler as fontes feias; essas coisas nos ajudam. Elas nos ajudam a resolver problemas, e a sermos mais criativos.


Toda a apresentação do Tim me faz ter a ideia de comparação que com essa técnica das cartas seja uma adaptação da prática ali do brainstorming, né? Ninguém naturalmente iria parar uma banda no processo criativo e falar uma coisa absurda. Brainstorming, ele surge para isso, mas é uma adaptação interessante. Bom vamos seguir aqui para o finalzinho.


Mas também, nós realmente precisamos de alguma persuasão se vamos aceitar isso. Então, não importa como faremos: se for por pura força de vontade, por causa de uma carta de baralho ou se pelo sentimento de culpa de uma adolescente alemã, todos nós, de vez em quando, precisamos nos sentar e tentar tocar o piano que não esteja funcionando.

Encerramento

Estiveram conosco hoje Luciano Pires, pastor Ronny Clayton, os 12 cavaleiros da produtividade, Tim Harford, Verá Brandes, Keith Jarrett, Daniel Oppenheimer, Shelley Carson, Katherine Phillips, Brian Eno, você ouvinte que vai estar mais preparado para enfrentar os sofrimentos e dificuldades da vida e eu que estou sempre buscando fortalecer minha armadura emocional Fernando Sobrinho.

Desejo a você um 2019 produtivo e cheio de significado e encerro aqui com uma frase minha mesmo.

“A vida já tem obstáculos demais, não sejamos nós mais um deles”

Tchau!

Links das apresentações do Tim Harford:
TED
Youtube

Link para o Kohl Concert com Keith Jarret (que é a trilha sonora da parte do tema principal desse programa)
Kohl Concert

Se você ouviu uns piados durante o programa, não ligue não, foi só o Nigel, uma das calopsitas da família querendo uma participação especial rsrsrsrs.

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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