Acompanhar todo o noticiário pela rádio, televisão ou mesmo pela internet (jornal físico ainda existe?) buscando ficar informado sobre como o nosso país está caminhando para o cidadão comum já era de um esforço enorme.

Só que esses dias eu me peguei pensando se realmente as famosas tretas entre o executivo e o legislativo, e algumas vezes o judiciário do nosso país, são assuntos que precisam estar no nosso foco de atenção.
Por dois motivos eu simplesmente parei de acompanhar os canais que divulgam cada mínimo passo dado por Ministros, Presidente, Presidente da Câmara, Presidente do Senado, STF e por aí vai… São eles:

a) As notícias são veiculadas por diferentes canais que por razões óbvias se nutrem do volume de acessos, assinaturas que tretas que chamam a atenção nutrem;
b) Alguns desses canais tem interesses não declarados e que a instabilidade gerada pelas suas manchetes gera vantagens não visíveis ao grande público.

E o que acontece quando damos atenção demasiada para essas coisas? Entramos no turbilhão de informações que fazem mais confusão do que esclarecimento. E a clareza sobre para onde estamos indo simplesmente fica envolto em uma névoa de dúvidas e medos.

A vacina?

Desligar um pouco, acompanhar mais a distância. Mesmo canais muito imparciais como o programa Pingos nos Is por fazerem um trabalho muito honesto de desmontar narrativas de um lado ou de outro, acabam por ficar dando demasiado foco em assuntos que não são os de relevância para o país e em última fronteira na sua vida.

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Acredito que se você não é um bolsominion carnívoro, mas votou no Bolsonaro por conta do desejo de afastar a esquerda do principal poder do nosso país, deve estar meio confuso (como eu estive durante um tempo) sobre se as coisas estão funcionando direito ou não.

Vejamos um exemplo bem prático:

TAXA DE DESEMPREGO SUBIU EM FEVEREIRO DE 2019

Sobre as taxas de desemprego terem saído do para patamar de 11,6% (set-out-nov/18) para 12,4% (dez/18-jan-fev/19) precisamos dissecar um pouco a informação. Veja só, não sou contra a pesquisa, mas ela de fato possui elementos que fazem com que a precisão dessa informação não seja assim tão assertiva. Para mostrar tendências, ela é no mínimo interessante. Todavia, não prova, ou no mínimo não responde quem é o responsável pelo aumento da força de trabalho.

Outro fator importante é que estatísticas, dependendo de como são apresentadas levam a uma conclusão equivocada. Vamos analisar os dados de desemprego sob outros prismas:

Comparando Fev/19 com Fev/18 e Fev/17

Fev/17 = 13,6%
Fev/18 = 12,6%
Fev/19 = 12,4%

Percebeu que a tendência é de redução de desemprego? Ele a cada ano está timidamente menor.

Agora vou mostrar para você quando comparamos o mês de Fevereiro de um ano com Dezembro do ano anterior temos o seguinte:

Dez/16 = 12,0% / Fev/17 = 13,2% variação de 1,2% para cima
Dez/17 = 11,8% / Fev/18 = 12,6% variação de 0,8% para cima
Dez/18 = 11,6% / Fev/19 = 12,4% variação de 0,8% para cima

Percebeu que na comparação, apenas no Fevereiro de 2017, tivemos um aumento mais significativo? E que ele permaneceu estável nos anos seguintes? Historicamente, sempre vai aumentar o desemprego quando comparamos esses meses assim. Isso acontece porque em Dezembro são feitas muitas contratações para atender a demanda de fim de ano pelas vendas turbinadas pelo 13º e é natural que o mercado se ajuste nos meses seguintes. Então até aí, essa informação não serve de alerta para ninguém, para nada, tal como nas redes jornalísticas são apresentados cenários de apocalipse com base nessa informação.

Essa é a tabela que usei para fazer essa análise e disponibilizei o link logo abaixo:

Fonte: https://br.advfn.com/indicadores/pnad

Agora, quer uma informação clara e assertiva sobre o real comportamento dos empregos no Brasil? O CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, registro permanente de admissões e dispensa de empregados, sob o regime da CLT nos apresenta uma informação que é conflitante com os dados da pesquisa sobre desemprego. Só para ter uma ideia da assertividade desse cadastro, é com base nele que o benefício de Seguro Desemprego é aplicado, só isso mostra que a chance de termos margens de erro com base nessas informações é virtualmente nula.

Os registros do CAGED que demonstram que houve acréscimo ou não de posições de trabalho formais são baseados nas quantidades de contratações e demissões, assim o saldo quando positivo significa que tivemos aumento de contratados, e os saldos negativos significam que tivemos redução de vagas de trabalho.

E como se comportou as informações sobre emprego no CAGED?
Vamos fazer algumas comparações iniciando por Fevereiro de 2019 com Fevereiro de 2018:

Contratações em Fev 2018: 1.274.965
Demissões em Fev 2018: 1.213.777
Saldo: +61.188

Contratações em Fev 2019: 1.453.284
Demissões em Fev 2019: 1.280.145
Saldo: +173.139

Veja que comparando só esses dois meses diretamente temos um acréscimo de quase 3 vezes as vagas de trabalho do mesmo período no ano anterior.

Agora vamos comparar os dois primeiros meses de cada ano:

Contratações em Jan e Fev 2018: 2.582.105
Demissões em Jan e Fev de 2018: 2.438.919
Saldo: +143.186

Contratações em Jan e Fev de 2019: 2.797.412
Demissões em Jan e Fev de 2019: 2.585.938
Saldo: +211.474

Esses dois períodos demonstram que foram criadas quase 70.000 vagas a mais que no mesmo período, demonstrando uma tendência de crescimento na contramão do que está sendo afirmado pelas pesquisas de desemprego.

Agora para demonstrar de maneira inequívoca que o Brasil está em uma tendência de crescimento da economia, sob a lente de empregos formais, veja como é a comparação dos últimos 12 meses tendo como fim Fevereiro de 2018 e os últimos 12 meses tendo como fim Fevereiro de 2019.

Contratações nos 12 meses até Fev 2018: 14.722.879
Demissões nos 12 meses até Fev 2018: 14.620.385
Saldo: +102.494

Contratações nos 12 meses até Fev 2019: 15.757.520
Demissões nos 12 meses até Fev 2019: 15.000.294
Saldo: +575.226

Esses dados podem ser obtidos muito facilmente pelo seguinte endereço: http://bi.mte.gov.br/eec/pages/consultas/evolucaoEmprego/consultaEvolucaoEmprego.xhtml

Sei que o tempo para todo mundo é cada vez mais escasso, e talvez ir apenas nas manchetes seria uma economia de tempo para ao menos você estar vendo a tendência das coisas, mas posso garantir que a pessoa que ler as manchetes de jornais falando a respeito do desemprego, vai estar com seu estado de espírito de um jeito, já quem pesquisa um pouquinho e busca se informar por fontes primárias, vai perceber com um pouco mais de otimismo o que está acontecendo de uma forma geral no país.

Para finalizar, a dica que eu deixo para você não ficar refém da narrativa que a grande mídia quer te empurrar, a vacina contra isso é buscar fontes primárias. Ouvir o que foi dito por algum político, da boca do próprio político, não através das lentes do jornalista que o interpreta e que adiciona ali todas as suas intenções de forma intencional ou não, mas fazendo um completo desserviço ao ofício de informar.

Ninguém pode ser o senhor da sua opinião, ninguém pode tutelar a sua liberdade de pensamento, nem mesmo eu aqui tenho o direito de te dizer o que é verdade e o que não é, mas tenho o compromisso de te apresentar as informações, os fatos e permitir que assim, você faça os julgamentos necessários e poderá concordar ou não com a minha opinião, mas tendo fundamentos para tal.

Cara, você não tem ideia do quanto isso afeta a produtividade….

Um abraço otimisticamente focado!
Fernando Sobrinho

Não fique aí quietinho, se quiser dar um pitaco, esse espaço aqui é seu!

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